República Argentina tem vias elevadas com prioridade para o pedestre

Com a promoção da mobilidade ativa, segura e com acessibilidade plena, Curitiba busca, mais uma vez, promover a harmonia na interação entre veículos...

  • Entorno da estação-tubo Silva Jardim, na República Argentina: áreas elevadas dão prioridade de circulação ao pedestre. Carros e bikes compartilham a circulação, com prioridade para a bicicletas.
  • Entorno da estação-tubo Silva Jardim, na República Argentina: áreas elevadas dão prioridade de circulação ao pedestre. Carros e bikes compartilham a circulação, com prioridade para a bicicletas.
  • Entorno da estação-tubo Silva Jardim, na República Argentina: áreas elevadas dão prioridade de circulação ao pedestre. Carros e bikes compartilham a circulação, com prioridade para a bicicletas.
  • Entorno da estação-tubo Silva Jardim, na República Argentina: áreas elevadas dão prioridade de circulação ao pedestre. Carros e bikes compartilham a circulação, com prioridade para a bicicletas.

 

Os entornos das novas estações-tubo ao longo da Avenida República Argentina, nos pontos em que estão sendo realizadas as obras do Ligeirão Norte Sul, resgatam um conceito de planejamento de vanguarda já aplicado em Curitiba: priorizar o pedestre na ocupação do espaço urbano.

Os projetos da estação-tubo Silva Jardim, do entorno da Igreja do Portão e, em breve, da estação Itajubá, com trechos elevados com mínima segregação de pistas, induzem a um novo comportamento de pedestres, motoristas e demais cidadãos em diferentes modais.

As áreas compartilhadas são marcadas por pisos com padrões diferentes em texturas e tamanhos. Isso permite a prioridade da circulação de pedestres em relação a veículos de passeio, bicicletas e motocicletas. É o carro devolvendo ao cidadão seu espaço de convivência e circulação.

“O respeito e a negociação do espaço durante o uso de um modal ou outro é a premissa do compartilhamento de vias. A segregação é mínima e o ambiente estimula e valoriza a troca e a gentileza entre os cidadãos, estejam eles motorizados ou não”, observa o arquiteto Fabiano Losso, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).

O conceito aplicado no projeto atende à Certificação Greenroads®, um dos requisitos de sustentabilidade previstos no contrato de financiamento do New Development Bank (NDB), do qual o eixo Sul é contrapartida do município às futuras obras do Eixo Leste-Oeste. Recomendada pelo NDB, a certificação é emitida pela GreenroadsInternational, corporação independente sem fins lucrativos que promove a educação e iniciativas de sustentabilidade para infraestrutura de transporte.

Sem barreiras

O formato resgata o espaço urbano acalmado e pertencente as pessoas, e não aos veículos motorizados. As vias compartilhadas remetem às cidades medievais europeias, onde até hoje ainda restam fragmentos dos espaços comuns com áreas de lazer, gastronomia, convívio social, comércio e serviços, com circulação de veículos leves e em baixa velocidade.

Com mais espaço para se locomover, sem barreiras de nível, o pedestre – de todas as idades e condições físicas - ganha acessibilidade no seu deslocamento, facilitando a ocupação do ambiente. É o motorista que tem o primeiro impacto no comportamento, praticando a redução da velocidade e dando maior atenção ao caminhar dos cidadãos.

Nas vias lentas da República Argentina, essa ação tem mais ênfase em três pontos chaves: no cruzamento com a Silva Jardim, em frente à Igreja do Portão e na estação tubo Itajubá, no Novo Mundo. Sem o protagonismo do carro, a área ganha novos usos além do trânsito, proporcionando melhor convivência entre moradores, pedestres e ciclistas, humanizando a via e aumentando a qualidade do espaço.

Vanguarda

Curitiba já convive com ruas transformadas em outros pontos: os calçadões da Rua das Flores e da Senador Alencar Guimarães, além das ruas Voluntários da Pátria e XV de Novembro, no Centro, e na quadra da Rua Anita Garibaldi com a João Gualberto, no Cabral.

“Além dos pontos da República, o conceito de via compartilhada vai ser aplicado nas adequações do Ligeirão Leste Oeste, criando pontos de convívio e estímulo à mobilidade ativa ao longo do itinerário”, observa Losso.

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